quarta-feira, 29 de junho de 2011

O que você quer saber sobre Dívida Interna?

A dívida pública do Brasil é a soma de tudo aquilo que todos os órgãos do Estado brasileiro devem, incluindo o governo federal, estados, municípios e empresas estatais.

Quando o Governo incorre em déficits orçamentais, ou seja, gasta mais do que arrecada, tem que imprimir moeda ou então contrair empréstimos junto ao público para pagar as suas contas. A dívida interna é apenas uma parte da dívida pública que representa os débitos, resultantes de empréstimos e financiamentos adquiridos pelo governo, com entidades financeiras do próprio país, ou seja, dentro do próprio Brasil.

Isso é a dívida interna. Quando o empréstimo é feito a partir de empresas financeiras do mercado nacional, chama-se dívida interna. Quando feito fora do país, chama-se dívida externa.


Podemos ainda dizer que o governo arrecada dinheiro com impostos, multas, taxas e lucros de suas empresas (estatais) e utiliza o dinheiro para pagar suas contas e fazer investimentos. Mas, entretanto, o que foi arrecadado não é suficiente e para repor esta diferença o governo toma dinheiro emprestado no mercado financeiro. Faz isso utilizando os chamados títulos públicos, que são documentos que prometem devolver o dinheiro com algum juro em uma data futura. Ou seja, para captar dinheiro o governo emite títulos ou papéis públicos e para compensar estes financiadores do déficit público paga elevados juros. Arrecadar dinheiro com títulos chama-se captação.


Já a um bom tempo, além de não ter dinheiro para pagar as contas, o governo não tem conseguido pagar seus títulos emitidos. O recurso tem sido fazer novas e novas dívidas, ou seja, emitir cada vez mais títulos, usando o dinheiro para pagar os empréstimos, o que se chama de recaptação. Ou troca os títulos vencidos e à vencer por outros que vencerão no futuro, o que se chama de rolagem da dívida pública.


Há pouco tempo atrás, o combate à dívida externa era uma bandeira de luta das oposições, só ouvíamos falar da incapacidade do Brasil de pagar sua dívida externa. Hoje, o problema real enfrentado pelo Brasil é o crescimento contínuo da dívida interna, o grande problema da rolagem da dívida pública.


De acordo com dados divulgados pelo Tesouro Nacional, a Dívida Pública Mobiliária Federal Interna (DPMFi) aumentou 1,61% em março ante fevereiro e chegou a R$ 1,611 trilhão. Em março do ano passado, a dívida estava em R$ 1,4 trilhão; há cinco anos, o valor era de R$ 1 trilhão.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Cadê o Ponto de Equilíbrio?

A maioria dos empresários de pequenas empresas não sabem, nunca ouviram falar e não calculam o ponto de equilíbrio, ou breake-even point, de suas empresas. Se soubessem o quanto é importante o conhecimento deste indicador para o sucesso de seu empreendimento, jamais o desconheciam.


O cálculo do break-even point é de suma importância para medir o desempenho e analisar os custos, despesas e lucro da empresa. Quando medimos o ponto de equilíbrio, descobrimos se o volume vendido pela empresa cobre os custos e despesas fixas ou variáveis e assim, concluímos se a empresa está tendo lucro e qual é este valor. Se a receita da empresa for abaixo deste ponto, a empresa estará na zona de prejuízo e acima dele, na zona da lucratividade.


De forma bem simples, os primeiros passos para encontrarmos este ponto é calcular os custos e despesas fixas e variáveis da empresa, ou seja, o Custo Total da empresa. Assim, temos que separar todos os custos e despesas relacionados ou não ás vendas. Portanto, somamos os custos com aluguel, propaganda, luz, água, telefone, funcionários, impostos, custo da mercadoria, transporte de mercadoria, etc.


Calculado o Custo Total, temos que saber qual é a Receita ou Vendas Totais da empresa, ou seja, o faturamento em determinado período de tempo.


O ponto de equilíbrio é a interseção das linhas de Custo Total e Receita Total , ou seja, (Custos = Vendas). Neste ponto, as vendas irão gerar exatamente a receita necessária para cobrir todos os custos.


Quando o ponto de equilíbrio der igual a zero, significa que a empresa está tendo lucro zero, ou seja, está apenas pagando suas despesas e custos. Quando o ponto de equilíbrio for maior que zero, a empresa está tendo lucro e quando o ponto de equilíbrio for menor que zero a empresa, infelizmente, está tendo prejuízo e precisa aumentar suas vendas ou diminuir seus gastos.


Para exemplificar, suponha que uma pequena empresa vendeu R$ 40.000,00 no mês de março de 2011, ou seja, sua Receita Total foi de R$40.000,00. Somando todos seus custos e despesas, sejam fixas ou variáveis como aluguel, custo da mercadoria vendida no período estudado, água, luz, telefone, honorário de contador, impostos vinculados ou não às mercadorias, pagamento de funcionários, propaganda, limpeza, material de escritório, ou seja, todos e qualquer custo ou despesa da empresa, obteve-se R$24.000,00 no mês de março de 2011.


Calculando o PE, temos:


PE = Receita Total – Custos e Despesas Totais


PE = R$40.000,00 – 24.000,00 = 16.000,00


Ou seja, esta empresa teve lucro de R$16.000,00 no mês de março de 2011.






É importante lembrar que as empresas precisam fazer o cálculo deste índice todos os meses e estudar seu comportamento, pois assim saberá a evolução da saúde financeira de seu empreendimento e adotar as condutas e estratégias necessárias para seu crescimento.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

As Reservas Internacionais brasileiras batem recorde!

As reservas internacionais de um país representam o depósito de moeda estrangeira mantido pelo Banco Central (BACEN) e autoridades monetárias, disponível para uso imediato, ou seja, que possuem total liquidez. No caso brasileiro, estas reservas são constituídas por dólares.

A manutenção de grandes reservas é um sinal de que o país detentor é “capaz” de enfrentar crises ou turbulências econômicas com maior facilidade através da venda destas reservas. Um nível baixo ou em queda pode ser um indicativo de que uma corrida bancária contra a moeda local pode configurar-se em crise monetária. As reservas dão aos bancos centrais poder para minimizar volatilidade e proteger o sistema monetário de choques ou grandes crises especulativas, como os que ocorrem quando especuladores compram e vendem moeda rapidamente.

O Brasil acumula reservas quando entra no mercado de câmbio comprando dólares e diminui reservas quando entra no mercado vendendo dólares. No regime de câmbio flutuante, essas intervenções acontecem quando há um excesso de moeda norte-americana no mercado e a cotação começa a cair muito rapidamente. Para evitar choques no câmbio, o BACEN entra comprando dólares. Ao mesmo tempo, quando há falta de dólares no mercado e o real começa a se desvalorizar rapidamente, o BACEN entra vendendo dólares e o nível das reservas cai.

Muitos economistas e também o atual governo defendem uma política de acumulação de reservas internacionais para que o país tenha um “seguro” contra crises econômicas. Quando ocorrem crises internacionais os especuladores que possuem papéis brasileiros querem vender imediatamente seus títulos, pois não confiam na economia do país, assim, este precisa de dólares em reserva suficiente para pagar estes títulos rapidamente e quitar sua dívida. Em contrapartida, quando os juros sobem, os investidores estrangeiros ficam interessados em se beneficiar destes altos juros, compram títulos públicos brasileiros e assim as reservas sobem.

Vários analistas, por outro lado, têm chamado a atenção para os custos associados à manutenção destes níveis de reservas tão elevado. Ou seja, para comprar dólares e aumentar as reservas internacionais, o governo precisa vender títulos públicos no mercado, que pagam juros próximos de 12% ao ano hoje. Depois, aplicar esse dinheiro a uma taxa próxima de 3% ao ano no exterior, onde os juros são menores. Esta diferença existente entre o retorno da aplicação das reservas em instituições internacionais e o valor pago aos detentores da dívida interna, gera um alto custo para as contas públicas. Para exemplificar, tem-se que a dívida pública aumentou em cerca de US$ 24 bilhões no ano passado com a emissão de títulos e o consequente pagamento das taxas de comissão.

No Brasil, a política de compra de reservas começou em 2004, mas ganhou força nos últimos quatro anos, devido ao aumento no fluxo de dólares para o país. No fim de 2010, as reservas estavam em US$ 288,57 bilhões. Neste ano, o BACEN comprou mais dólares no mercado para conter a desvalorização da moeda norte-americana ante o real e o valor das reservas internacionais chegaram ao recorde de US$300 bilhões, o dobro do registrado há três anos e meio. Este nível jamais foi alcançado por esse indicador de liquidez internacional na história da economia brasileira. O valor exato, divulgado pelo BACEN, é de US$ 300,271 bilhões, mais de meio trilhão de reais.














segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A inflação brasileira

Podemos dizer que hoje em dia o poder de compra da população brasileira está preservado e temos a estabilidade de preços na economia do país.

O aumento do nível geral de preços da economia é chamado de inflação, uma das grandes preocupações não só dos governantes, mas como de toda a sociedade.

A inflação existe sempre que se registra um aumento no nível geral de preços: aumento de preços do pão, da gasolina, e dos automóveis; aumento dos salários, dos preços da terra e dos preços dos bens de capital.

Não vamos dizer que, em períodos de inflação, todos os preços e todos os custos sobem na mesma proporção, pois, na verdade, raramente se registram movimentos de preços em conjunto.

A inflação apresenta diferentes níveis de gravidade. Podemos classificar a inflação em três categorias: moderada, galopante e hiperinflação.

A inflação moderada é aquela onde os preços aumentam lentamente, com uma taxa de um só dígito, ou seja, uma taxa inferior a 10 por cento ao ano. Em condições de inflação moderada e estável, os preços não se afastam significativamente, assim as pessoas não se preocupam em livrar-se do seu dinheiro, rapidamente, pois, a moeda praticamente mantém seu valor de ano para ano.

A inflação galopante é aquela onde os preços começam a subir com taxas de dois a três dígitos com valores de, por exemplo, 20, 100 ou 200 por cento ao ano.

A partir do momento em que a taxa de inflação galopante se instala ocorre problemas econômicos de certa gravidade. A maioria dos contratos começa a ser indexados de acordo com o índice de preços ou com uma moeda estrangeira como o dólar. Como o dinheiro perde o valor rapidamente, as pessoas costumam conservar o mínimo imprescindível, compram bens, como carros, casas, entre outros.

Enquanto a inflação galopante permite a sobrevivência das economias, algumas delas até mesmo com um razoável crescimento, verifica-se uma situação fatal quando a hiperinflação se instala na economia.

As causas da inflação variam de país para país e em um mesmo país essas causas são diferentes em épocas distintas.

O problema inflacionário no Brasil sempre esteve presente e a sociedade brasileira já se deparou com as três categorias de inflação.

De 1980 a 1987 a taxa média de inflação anual foi de 157,35%. Neste período, no Brasil, ocorreu um exemplo de inflação galopante, marcada pela indexação de preços, com taxas inflacionárias de dois a três dígitos, variando de 65% à 415,8% ao ano. No período que abrange 1988 à 1994, o Brasil se deparou com a hiperinflação, apresentando taxa média de inflação anual de 1.391,05%, com variações de 480,2% à 2.707,7% ao ano. Nestes anos, os preços subiam de forma astronômica, à medida que, as pessoas procuravam desesperadamente livrar-se do dinheiro que tinham em mãos, cada vez sendo maior a rapidez do gasto da moeda uma vez recebida.

Desde 1995 temos um exemplo de inflação moderada no Brasil, ou seja, após a adoção do Plano Real a inflação brasileira deixou de crescer de forma assustadora e passou a ter variações lentas. Hoje em dia, as pessoas não se preocupam, como antigamente, em livrar-se do dinheiro com medo da sua desvalorização, ao contrário, a inflação estando em um nível moderado, a moeda praticamente mantém seu valor de ano para ano e não precisamos ter medo da volta deste fantasma que nos assombrou por muito tempo...

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O grande desafio de Dilma!

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou durante o último programa de rádio Café com o Presidente de seu mandato, que foi “gostoso demais” governar o Brasil nos últimos oito anos e que não achou “nada complicado essa tarefa”. Torceremos que sua sucessora, a nova presidente da república Dilma Rousseff também possa dizer o mesmo daqui a quatro anos.

No dia 01 de janeiro de 2011, Dilma subiu a rampa do Planalto e agora é a nova Presidente do Brasil. Os obstáculos da nova presidente serão muitos. Desafiando o discurso desenvolvimentista encampado pelo seu governo, estão os gastos públicos elevados, as ineficientes políticas de formação de pessoal, a pressão inflacionária, a provável elevação das taxas de juros pelo Banco Central e a sobrevalorização cambial. Resumindo, o desafio econômico da sucessora de Lula será o de garantir condições econômicas para o Brasil manter os altos índices de crescimento que vem apresentando.

Dilma herdará um país estável e em crescimento. O que está muito longe de significar um país sem problemas a resolver. Para manter o crescimento econômico e a prosperidade, que impulsiona os índices sociais e aumenta a capacidade de compra da população, o novo governo terá que lidar com os grandes entraves presentes hoje na economia.

Como garantir o crescimento e desenvolvimento econômico do país sem uma reforma tributária que garanta os gastos com infraestrutura? Como podemos pensar em manter a inflação controlada à custa da frequente elevação da taxa de juros? Como podemos garantir os ganhos com nossas exportações com o câmbio supervalorizado?

Para avançar será preciso melhorar a gestão dos gastos públicos e as reformas estruturais tão discutidas e tão relegadas terão que ser realmente realizadas.  Com isso, será possível manter a inflação sob controle e tirar do Brasil o título de campeão mundial dos juros altos, chegando ao fim uma das maiores distorções da economia brasileira, que são os juros muito maiores do que em quase todos os países ricos ou emergentes.

Lula deixará para a sucessora, Dilma Rousseff, o desafio de modernizar a Constituição nos campos político, previdenciário, tributário e trabalhista. Propiciar as reformas de base é uma exigência do país e a presidente será cobrada por isso. O problema é que a execução destas reformas acarretará na perda de popularidade da governante.
 Será que Dilma está disposta a isto?

sábado, 18 de dezembro de 2010

Por que o Governo não reduz a taxa de Juros?

Neste artigo iremos explicar  como a taxa de juros interfere na taxa de câmbio e se faz tão importante para controlar a economia do país. Porque o Governo insiste em manter tão alta a taxa de juros se sabemos que a queda desta dá ânimo à economia e estimula o crescimento do país?
Para começar vamos definir a taxa de juros como sendo a remuneração que o detentor do dinheiro cobra para conceder um empréstimo. O Governo determina uma taxa básica (SELIC) que norteia a economia brasileira e os negócios com títulos públicos registrados no BACEN . Assim, de uma forma bem simples, podemos dizer que a taxa de juros é o preço para se obter a nossa moeda.
Desde meados dos anos 90, quando o Brasil adotou o Plano Real e passou a ter inflação moderada ao invés de hiperinflação, o país segue fortalecendo sua economia e consolidando suas instituições financeiras. Um dos cuidados que o país tem tomado para se manter economicamente saudável é o controle rigoroso desta inflação e, para isso, o principal instrumento que tem em suas mãos é a taxa de juros. Ao alterá-la, O BACEN é capaz de aquecer a economia e influenciar nos principais indicadores de crescimento do país.
Quando os juros estão altos existe uma procura por títulos do mercado brasileiro, pois assim, os investidores indiretos, como são chamados, pois não estão investindo diretamente na economia do país, ganham juros altos. A taxa de juros alta atrai estes investidores especulativos que só estão interessados nos ganhos fáceis dos juros dos títulos brasileiros.
Quando ocorre esta procura por papéis brasileiros há uma grande demanda por reais, ou seja, ocorre uma valorização da moeda nacional. Esta valorização alimenta a importação de produtos estrangeiros, pois estes ficam baratos já que a nossa moeda está valorizada, e desestimula as exportações brasileiras, pois nossos produtos ficam caros já que a moeda estrangeira está barata. Desta maneira, os juros interferem na inflação, pois haverá mais produtos estrangeiros no país, maior concorrência com produtos nacionais e menores ficam os preços no mercado, ou seja, menor inflação. Concluímos então, que quanto maiores os juros, menor a inflação.
Além disso, quando os juros estão altos, menor é o crédito do consumidor. Por exemplo, quando uma pessoa quer adquirir um produto, mas não consegue financiá-lo por que os juros estão altos, há uma queda no consumo generalizado  havendo então, uma queda dos preços para estimular as vendas e, consequentemente, a inflação diminui.
Assim, a taxa de juros é usada como instrumento de controle da inflação e cabe ao Governo decidir se o que é melhor para a economia no momento é uma maior taxa de juros com inflação baixa ou uma menor taxa de juros e inflação mais alta, ou seja, ou o país opta por um modelo econômico que passa pelos juros elevados e provável recessão ou por metas inflacionárias maiores.

sábado, 20 de novembro de 2010

O que é esta tal taxa de cãmbio!

Nos últimos meses temos escutado muito sobre um possível real menos valorizado sustentado por uma menor taxa de juros no nosso país. Todos os candidatos e até a nova presidente prometeram que esta seria uma importante meta a ser cumprida neste mandato. Neste artigo vamos entender um pouco o que é esta tal taxa de câmbio e como funciona a valorização e desvalorização tão discutida e importante para a nossa economia.

De forma bem simples podemos definir que a taxa de câmbio nos diz quantos reais são trocados por um dólar, quantos reais são trocados por uma libra esterlina, quantos reais são trocados por um euro, etc.

Agora, para entendermos o que é a desvalorização da taxa de câmbio, considere este exemplo:

Situação Inicial:                 US$ 1,00 = R$ 1,00
Situação de Desvalorização:       US$ 1,00 = R$ 1,69

Quando temos a desvalorização do real em relação à situação inicial, são necessários mais reais por cada unidade de dólar. Ou seja, ficou mais caro adquirir dólares e temos que pagar mais pela unidade monetária estrangeira.
A situação de desvalorização de uma moeda implica que com ela se passa a comprar uma menor quantidade de moedas estrangeiras. Ficou mais caro adquirir produtos comprados no exterior, o que faz diminuir as importações. Enquanto isso, fica mais barato para estrangeiros adquirirem produtos brasileiros, estimulando as exportações.

Já para entendermos o mecanismo de valorização considere o seguinte exemplo:

Situação Inicial:                  US$ 1,00 = R$ 1,00
Situação de Valorização:           US$ 1,00 = R$ 0,50

Quando temos a valorização do real em relação à situação inicial, são necessários menos reais por cada unidade de dólar. Ou seja, ficou mais barato adquirir dólares e temos que pagar menos pela unidade monetária estrangeira, o que faz aumentar as importações. Enquanto isso, fica mais caro para estrangeiros adquirirem produtos brasileiros, desestimulando as exportações.

Bom, já vimos os efeitos de uma desvalorização e de uma valorização da taxa de câmbio sobre as exportações e sobre as importações de bens e serviços. Mas, como é fixada a taxa de câmbio? Existem critérios diferentes de fixação da taxa de câmbio. Vejamos alguns desses critérios:
Taxa de câmbio nominal fixa. Ocorre quando o Banco Central se compromete a comprar e vender moeda estrangeira a um preço nominal pré-estabelecido.
Taxa de câmbio flutuante. Ocorre quando o preço é estabelecido no mercado, oscilando livremente de acordo com a oferta e a procura por moedas estrangeiras.
Taxa de Câmbio limitadamente flexível ou taxa de câmbio flutuante administrada. Ocorre quando o Banco Central fixa duas taxas de câmbio extremas (uma máxima e a outra mínima), entre as quais deixa o mercado fixar a taxa de câmbio livremente. Quando a cotação, em moeda nacional, da moeda estrangeira cai abaixo do limite mínimo estabelecido, o Banco Central entra no mercado comprando moeda estrangeira. Quando a cotação, em moeda nacional, da moeda estrangeira sobe além do limite máximo, o Banco Central entra no mercado vendendo moeda estrangeira.
Taxa de câmbio com flutuação suja (“dirty floating”). A taxa de câmbio é estabelecida no mercado, com o Banco Central só interferindo para amenizar as oscilações especulativas.

No Brasil, tivemos no período de agosto de 1968 a fevereiro de 1990, um sistema de taxa de câmbio real fixa, conhecido como sistema de minidesvalorização da taxa de câmbio. De março de 1990 até junho de 1994 tivemos um sistema de taxa de câmbio com flutuação suja, com taxa de câmbio sendo determinada no mercado e o Banco Central (BACEN) interferindo para ditar o caminho a ser seguindo pela taxa de câmbio. De julho de 1994 a janeiro de 1999 o país adotou um sistema de taxa de câmbio limitadamente flexível, onde o BACEN estabelece as “bandas cambiais”, isto é, os limites máximos e mínimos da taxa de câmbio, a partir dos quais teoricamente o BACEN interfere no mercado. Desde janeiro de 1999 o Brasil voltou a ter um sistema de taxa de câmbio com flutuação suja, onde a taxa de câmbio é definida no mercado, com o BACEN interferindo para amenizar grandes oscilações.

No próximo artigo iremos tratar destas oscilações especulativas da taxa de câmbio e de que forma a taxa de juros interfere neste mecanismo.