quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Como a taxa de juros afeta o consumo

Preocupado em conter a inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BACEN) aumentou, no último dia nove, em meio ponto percentual a taxa básica de juros, Selic, que passou de 9% para 9,5%. O Governo espera que essa decisão contribua para que a inflação entre em declive e que essa tendência persista no próximo ano. Em abril deste ano o Governo, pressionado pela alta inflacionária, começou uma política de aumento da taxa básica de juros após quase dois anos sem subir e após ter chegado em outubro de 2012 ao mínimo histórico de 7,25%. Como esta alta da taxa básica de juros afeta nossas vidas? Ela afeta o consumo? Segundo a lei da oferta e da procura, quanto mais existir procura por determinado produto e a sua oferta for menor, esse produto passa a custar mais caro, causando inflação. O contrário também é verdadeiro, se uma mercadoria ou serviço não for tão procurado, o preço tende a cair para atrair mais compradores, causando, desta vez, queda da inflação. Quando temos aumento elevado do consumo ocasionado principalmente pelo aumento de renda da população ou disponibilização de crédito fácil, como visto nos últimos anos no Brasil, a tendência é haver um aumento na taxa de inflação, e para manter o nível de inflação esperado, o Governo faz uso da política monetária, através do aumento da taxa básica de juros, a Selic. Explicando melhor, sabemos que a taxa de juros é o custo do dinheiro, ou seja, é a remuneração cobrada pelo empréstimo de dinheiro. Desta forma, aumentando a taxa de juros o consumidor prefere aumentar suas poupanças, que lhe rendem mais, consumir menos hoje e utilizar os recursos poupados (acrescidos dos juros) para consumir mais no futuro. Logo, o aumento da taxa de juros tem como finalidade macroeconômica, reduzir o volume do consumo que quando é exagerado em relação à oferta pode causar um surto inflacionário. Esta relação entre taxa de juros, consumo e poupança têm como denominador comum a INFLAÇÃO, pois é no combate a esta, que as outras variáveis são jogadas de forma conjugada, ou seja, é para combater a inflação que o Governo manipula a taxa de juros para que haja diminuição do consumo e aumentar as poupanças dos indivíduos. Havendo menos consumo, ocasionado pelo aumento da SELIC, o comércio vende menos e a indústria diminui sua produção, podendo ocorrer demissões e queda no crescimento econômico do país, que é outro problema que o atual Governo vem enfrentando. Sem dúvida, se correr o bicho pega e se ficar o bicho come! O aumento da SELIC pode fazer o consumo cair, a inflação cair, mas, por outro lado, pode diminuir a produção e fazer com que haja uma desaceleração econômica ainda maior.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Entenda o que significa alguns termos econômicos!

É muito comum que algumas pessoas não consigam ler ou entender artigos econômicos por causa de algumas expressões, palavras ou termos que complicam o palavreado chamado por alguns de “economês”! O "economês" é uma língua estranha e dificílima, que quase ninguém entende, ela é falada pelos economistas ou profissionais da área que gostam de usar palavras difíceis e deixar todo mundo sem entendimento nenhum. Eu, pessoalmente, sou contra o uso do economês, pois percebo a importância do entendimento da economia por todos, mas também percebo que ás vezes fica impossível entender o assunto sem saber o básico deste palavreado. Assim, procurei alguns termos importantes no nosso dia a dia para explicar neste artigo e facilitar a partir de agora seu entendimento por economia. ÁGIO: É a diferença a mais, na compra de um título, ação, bem ou moeda, entre o valor nominal (oficial) e o valor pago pelo comprador. Assim, se um comprador paga um valor acima do de mercado por determinado bem ele está comprando aquele bem com ágio. ANDAR DE LADO: Mercado fraco, sem tendência definida ou estagnado. Expressão utilizada para indicar que o mercado está com uma tendência indefinida de elevação ou baixa dos negócios. Os operadores estão esperando por alguma sinalização e, enquanto isso, são prudentes em suas aplicações. BLUE CHIPS - O termo é usado no mercado norte-americano há mais de um século, e é adotado também no Brasil, para se referir às empresas com as ações mais negociadas em Bolsa de Valores. As blue chips são empresas de maior liquidez, ou seja, devido ao enorme volume de negócios, é possível converter a ação em dinheiro facilmente. Em geral, ações de empresas tradicionais de grande porte, com grande liquidez e procura no mercado de ações. Sinônimo de ações de empresas de primeira linha. BOLHA: Palavra usada para explicar uma alta excessiva de preços, tanto de ativos materiais (imóveis e terrenos), como de ativos financeiros (ações). A alta de preços é rápida e contínua, motivada pela grande procura, porém, como a demanda não se sustenta para sempre, em algum momento, a oferta fica maior que a procura, e a bolha se rompe, fazendo que os preços caiam provocando prejuízos para quem comprou esses ativos. CARTEIRA DE INVESTIMENTOS: Conjunto de ativos financeiros pertencentes a uma pessoa ou empresa. A carteira de um investidor é o conjunto de todos os tipos de investimentos que ele possui. A carteira de um o operador de bolsas de valores ou de um fundo de investimento é o conjunto de todos os títulos, papéis ou valores que são objeto de negociação. CUSTO DE OPORTUNIDADE: É o valor que se deixa de receber de um investimento quando se opta por um segundo investimento, ou seja, quando você desiste de fazer um investimento em prol de outro, o custo de oportunidade é o benefício que poderia ser obtido a partir desta oportunidade renunciada. INDEXAÇÃO: É um sistema de reajuste de preços da economia pelos índices oficiais de inflação, ou seja, é a correção monetária de contratos expressos em moeda corrente, com base na variação de índices de inflação (IPCA, IPC, IGPM, ETC), com o objetivo de proteger o credor do contrato das perdas provocadas pela desvalorização sistemática da moeda. Este mecanismo de indexação ganhou muita importância no Brasil durante os anos de inflação galopante. Praticamente todos os contratos - de aplicações financeiras, a aluguéis e salários - são indexados, corrigidos, pela variação da inflação. RESERVAS INTERNACIONAIS: Representam o depósito de moeda estrangeira mantido pelo Banco Central (BACEN) e autoridades monetárias, disponível para uso imediato, ou seja, que possuem total liquidez. No caso brasileiro, estas reservas são constituídas por dólares. RISCO PAÍS: É um indicador que tenta determinar o grau de instabilidade econômica de cada país. Desta forma, se tornou decisivo para o futuro imediato dos países emergentes. O risco país é um índice que mede o grau de “perigo” que um país representa para o investidor estrangeiro.

E o dólar continua valorizado!

Conforme ditto há alguns meses atrás pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, o dólar acima de R$2,00 veio para ficar! E ficou! Nos últimos tempos, temos observado a nossa moeda desvalorizar em relação ao dólar, ou seja, perder valor de troca com a moeda americana. O dólar comercial operava, nesta segunda-feira , dia 5 de agosto, acima de R$ 2,30, o que fazia os investidores esperarem uma atuação do Banco Central no mercado de câmbio. Por volta das 15h, a moeda subia 0,75%, para R$ 2,305 na venda. O dólar em alta é bom para as empresas exportadoras, que potencializam os ganhos com a diferença de preços. Mas é ruim para as empresas que importam matérias-primas, porque encarece a produção. Também não favorece quem viaja ao exterior. Seja valorizando ou desvalorizando, o câmbio é sempre assunto de grande preocupação para a economia dos países e causa grandes impactos. Quais as consequências dessa desvalorização do real e o que pode acontecer na nossa economia? As consequências são muitas e já são notadas por todos nós! A primeira e mais preocupante é a pressão que exerce na inflação brasileira que já ultrapassa o limite estabelecido pelo Governo. Com a desvalorização do real, o poder de compra do brasileiro diminui e fica mais caro importarmos produtos estrangeiros, diminuindo assim, a oferta destes dentro do país, permitindo um aumento do índice geral de preços, ou inflação. Outra consequência importante é o possível aumento das exportações dos nossos produtos. Como o real está mais acessível no exterior, os nossos produtos ficam mais atraentes lá fora e, consequentemente, as exportações brasileiras aumentam. Esse aumento também depende da demanda do mercado externo que anda sofrendo desde a última crise econômica mundial, pois o consumo mundial ainda não recuperou o fôlego e continua baixo. O ministro destacou, esta semana que o câmbio valorizado que temos hoje prejudica os produtos importados e favorece a indústria nacional, onde esta ganha uma defesa natural, ou seja, ganha competitividade e consegue uma maior produção, favorecendo o crescimento econômico do país. Já os brasileiros que viajaram neste mês de férias para o exterior, levaram um grande susto! Está tudo mais caro para nós brasileiros lá fora e realmente, agora, não é a hora certa para as viagens ao exterior. Ficar por aqui anda mais barato!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Estado Intervencionista X Estado Minimalista

Estado Intervencionista X Estado Minimalista

 

De que forma o Estado deve intervir na economia? O Estado deve ser intervencionista, exercendo um papel regulador forte ou minimalista, onde as funções do Estado são residuais?

Esta questão é muito frequente nas discussões á respeito de um Estado ideal e como a economia reage à estas intervenções.

Para entendermos essa discussão, podemos definir um Estado Intervencionista como aquele que coloca a atuação estatal como agente protetor, defensor social e organizador da economia. Este Governo é responsável em regular o mercado e garantir um equilíbrio entre a demanda e oferta dos bens e serviços produzidos no país.

Alem disso, o Estado Intervencinista é o agente regulamentador de toda vida e saúde social, política e econômica do país e cabe a este garantir serviços públicos e proteção à toda a população, como saúde, educação, previdência, seguro desemprego, subsídios, etc

Em uma sociedade de intervenção forte do Estado os tributos e impostos costumam ser altos, pois o Governo precisa se financiar para garantir as condições sócio-econômicas ideais para a população.

Ao contrário deste Estado regulador, temos o minimalista do conceito neoliberal. A este Estado cabe uma intervenção bem menor na economia, ou a mínima possível. Para os neoliberais, o mercado deve funcionar livremente, sem interferência do Governo, o mercado deve ser da livre concorrência. Cabe apenas ao Governo dar as condições favoráveis para o seu bom funcionamento, fornecendo a estabilidade financeira e monetária do país.

Nesse contexto, os neoliberais defendem as privatizações de empresas estatais, controle dos gastos públicos e menores investimentos em políticas como aposentadoria, seguro desemprego e pensionistas. Sendo assim, em uma sociedade sem intervenção forte do Governo, os tributos e impostos tendem a ser baixos, pois cada indivíduo tem a responsabilidade de garantir suas próprias necessidades sócio-econômicas.

Hoje em dia, com a necessidade mais latente de vários países em redefinir a atuação de seu Governo, a discussão de um Estado intervencinista ou minimalista é um tema que atrai muitos interesses no âmbito nacional e internacional. Estamos vivenciando, principalmente na Europa, vários exemplos de reforma de Estado, ou reformulação de um novo modelo de organização estatal, onde é importante redefinir até onde vai o poder de regulação do Estado e a responsabilidade deste na economia do país.

É claro que o Estado ideal não deve ser tão regulador nem tão minimalista, ou ainda, nem próximo do mínimo, nem executor. O ideal ainda estamos à procura! Estamos à procura de um Governo possa contribuir para uma maior igualdade entre os indivíduos e uma melhoria do nível de vida geral do país. Que tipo de Governo será este?

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O que você quer saber sobre Dívida Interna?

A dívida pública do Brasil é a soma de tudo aquilo que todos os órgãos do Estado brasileiro devem, incluindo o governo federal, estados, municípios e empresas estatais.

Quando o Governo incorre em déficits orçamentais, ou seja, gasta mais do que arrecada, tem que imprimir moeda ou então contrair empréstimos junto ao público para pagar as suas contas. A dívida interna é apenas uma parte da dívida pública que representa os débitos, resultantes de empréstimos e financiamentos adquiridos pelo governo, com entidades financeiras do próprio país, ou seja, dentro do próprio Brasil.

Isso é a dívida interna. Quando o empréstimo é feito a partir de empresas financeiras do mercado nacional, chama-se dívida interna. Quando feito fora do país, chama-se dívida externa.


Podemos ainda dizer que o governo arrecada dinheiro com impostos, multas, taxas e lucros de suas empresas (estatais) e utiliza o dinheiro para pagar suas contas e fazer investimentos. Mas, entretanto, o que foi arrecadado não é suficiente e para repor esta diferença o governo toma dinheiro emprestado no mercado financeiro. Faz isso utilizando os chamados títulos públicos, que são documentos que prometem devolver o dinheiro com algum juro em uma data futura. Ou seja, para captar dinheiro o governo emite títulos ou papéis públicos e para compensar estes financiadores do déficit público paga elevados juros. Arrecadar dinheiro com títulos chama-se captação.


Já a um bom tempo, além de não ter dinheiro para pagar as contas, o governo não tem conseguido pagar seus títulos emitidos. O recurso tem sido fazer novas e novas dívidas, ou seja, emitir cada vez mais títulos, usando o dinheiro para pagar os empréstimos, o que se chama de recaptação. Ou troca os títulos vencidos e à vencer por outros que vencerão no futuro, o que se chama de rolagem da dívida pública.


Há pouco tempo atrás, o combate à dívida externa era uma bandeira de luta das oposições, só ouvíamos falar da incapacidade do Brasil de pagar sua dívida externa. Hoje, o problema real enfrentado pelo Brasil é o crescimento contínuo da dívida interna, o grande problema da rolagem da dívida pública.


De acordo com dados divulgados pelo Tesouro Nacional, a Dívida Pública Mobiliária Federal Interna (DPMFi) aumentou 1,61% em março ante fevereiro e chegou a R$ 1,611 trilhão. Em março do ano passado, a dívida estava em R$ 1,4 trilhão; há cinco anos, o valor era de R$ 1 trilhão.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Cadê o Ponto de Equilíbrio?

A maioria dos empresários de pequenas empresas não sabem, nunca ouviram falar e não calculam o ponto de equilíbrio, ou breake-even point, de suas empresas. Se soubessem o quanto é importante o conhecimento deste indicador para o sucesso de seu empreendimento, jamais o desconheciam.


O cálculo do break-even point é de suma importância para medir o desempenho e analisar os custos, despesas e lucro da empresa. Quando medimos o ponto de equilíbrio, descobrimos se o volume vendido pela empresa cobre os custos e despesas fixas ou variáveis e assim, concluímos se a empresa está tendo lucro e qual é este valor. Se a receita da empresa for abaixo deste ponto, a empresa estará na zona de prejuízo e acima dele, na zona da lucratividade.


De forma bem simples, os primeiros passos para encontrarmos este ponto é calcular os custos e despesas fixas e variáveis da empresa, ou seja, o Custo Total da empresa. Assim, temos que separar todos os custos e despesas relacionados ou não ás vendas. Portanto, somamos os custos com aluguel, propaganda, luz, água, telefone, funcionários, impostos, custo da mercadoria, transporte de mercadoria, etc.


Calculado o Custo Total, temos que saber qual é a Receita ou Vendas Totais da empresa, ou seja, o faturamento em determinado período de tempo.


O ponto de equilíbrio é a interseção das linhas de Custo Total e Receita Total , ou seja, (Custos = Vendas). Neste ponto, as vendas irão gerar exatamente a receita necessária para cobrir todos os custos.


Quando o ponto de equilíbrio der igual a zero, significa que a empresa está tendo lucro zero, ou seja, está apenas pagando suas despesas e custos. Quando o ponto de equilíbrio for maior que zero, a empresa está tendo lucro e quando o ponto de equilíbrio for menor que zero a empresa, infelizmente, está tendo prejuízo e precisa aumentar suas vendas ou diminuir seus gastos.


Para exemplificar, suponha que uma pequena empresa vendeu R$ 40.000,00 no mês de março de 2011, ou seja, sua Receita Total foi de R$40.000,00. Somando todos seus custos e despesas, sejam fixas ou variáveis como aluguel, custo da mercadoria vendida no período estudado, água, luz, telefone, honorário de contador, impostos vinculados ou não às mercadorias, pagamento de funcionários, propaganda, limpeza, material de escritório, ou seja, todos e qualquer custo ou despesa da empresa, obteve-se R$24.000,00 no mês de março de 2011.


Calculando o PE, temos:


PE = Receita Total – Custos e Despesas Totais


PE = R$40.000,00 – 24.000,00 = 16.000,00


Ou seja, esta empresa teve lucro de R$16.000,00 no mês de março de 2011.






É importante lembrar que as empresas precisam fazer o cálculo deste índice todos os meses e estudar seu comportamento, pois assim saberá a evolução da saúde financeira de seu empreendimento e adotar as condutas e estratégias necessárias para seu crescimento.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

As Reservas Internacionais brasileiras batem recorde!

As reservas internacionais de um país representam o depósito de moeda estrangeira mantido pelo Banco Central (BACEN) e autoridades monetárias, disponível para uso imediato, ou seja, que possuem total liquidez. No caso brasileiro, estas reservas são constituídas por dólares.

A manutenção de grandes reservas é um sinal de que o país detentor é “capaz” de enfrentar crises ou turbulências econômicas com maior facilidade através da venda destas reservas. Um nível baixo ou em queda pode ser um indicativo de que uma corrida bancária contra a moeda local pode configurar-se em crise monetária. As reservas dão aos bancos centrais poder para minimizar volatilidade e proteger o sistema monetário de choques ou grandes crises especulativas, como os que ocorrem quando especuladores compram e vendem moeda rapidamente.

O Brasil acumula reservas quando entra no mercado de câmbio comprando dólares e diminui reservas quando entra no mercado vendendo dólares. No regime de câmbio flutuante, essas intervenções acontecem quando há um excesso de moeda norte-americana no mercado e a cotação começa a cair muito rapidamente. Para evitar choques no câmbio, o BACEN entra comprando dólares. Ao mesmo tempo, quando há falta de dólares no mercado e o real começa a se desvalorizar rapidamente, o BACEN entra vendendo dólares e o nível das reservas cai.

Muitos economistas e também o atual governo defendem uma política de acumulação de reservas internacionais para que o país tenha um “seguro” contra crises econômicas. Quando ocorrem crises internacionais os especuladores que possuem papéis brasileiros querem vender imediatamente seus títulos, pois não confiam na economia do país, assim, este precisa de dólares em reserva suficiente para pagar estes títulos rapidamente e quitar sua dívida. Em contrapartida, quando os juros sobem, os investidores estrangeiros ficam interessados em se beneficiar destes altos juros, compram títulos públicos brasileiros e assim as reservas sobem.

Vários analistas, por outro lado, têm chamado a atenção para os custos associados à manutenção destes níveis de reservas tão elevado. Ou seja, para comprar dólares e aumentar as reservas internacionais, o governo precisa vender títulos públicos no mercado, que pagam juros próximos de 12% ao ano hoje. Depois, aplicar esse dinheiro a uma taxa próxima de 3% ao ano no exterior, onde os juros são menores. Esta diferença existente entre o retorno da aplicação das reservas em instituições internacionais e o valor pago aos detentores da dívida interna, gera um alto custo para as contas públicas. Para exemplificar, tem-se que a dívida pública aumentou em cerca de US$ 24 bilhões no ano passado com a emissão de títulos e o consequente pagamento das taxas de comissão.

No Brasil, a política de compra de reservas começou em 2004, mas ganhou força nos últimos quatro anos, devido ao aumento no fluxo de dólares para o país. No fim de 2010, as reservas estavam em US$ 288,57 bilhões. Neste ano, o BACEN comprou mais dólares no mercado para conter a desvalorização da moeda norte-americana ante o real e o valor das reservas internacionais chegaram ao recorde de US$300 bilhões, o dobro do registrado há três anos e meio. Este nível jamais foi alcançado por esse indicador de liquidez internacional na história da economia brasileira. O valor exato, divulgado pelo BACEN, é de US$ 300,271 bilhões, mais de meio trilhão de reais.